Quanto vale o chão em que você pisa?

ch.png

Todos nós já ouvimos por diversas vezes que preservar o meio ambiente é necessário, que os seres humanos precisam mudar a forma de tratar a natureza e modificar hábitos de consumo e que somos responsáveis por impactos irreversíveis ao planeta. Também já conhecemos muito bem o famoso tripé da sustentabilidade, cuja proposição é a união entre: o socialmente justo; o ecologicamente equilibrado; e o economicamente viável.

Tudo isso já faz parte do senso comum, porém, sempre fica a impressão de que não conseguimos extrapolar o campo dos discursos. Pensando em tudo isso convido você a realizar uma reflexão sobre as questões ambientais, a partir de uma abordagem diferenciada, utilizando este canal para falar sobre natureza sistêmica, serviços ecossistêmicos, eco inovação, economia circular e resiliência, temas que o mundo está cada vez mais entendendo como fundamentais nesse processo de reconstrução do pensar e do habitar nosso planeta.

Durante muito tempo, falar sobre meio ambiente era considerado “coisa de ambientalista”, cujas lutas e conquistas em prol do meio ambiente são tão legítimas quanto imprescindíveis, pois graças a eles, temos visto uma ampliação da sensibilização para as questões ambientais. Porém, para além das lutas e dos discursos em si, é chegada a hora de todos nós – ambientalistas ou não – trilharmos os caminhos para viabilizar o “ecologicamente equilibrado”, compreendendo a natureza viva (e não os recursos naturais) como fundamental para a manutenção da vida humana em condições de segurança ambiental.

Vale ressaltar que para que seja possível abrir e trilhar os caminhos da sustentabilidade, é imprescindível que o “socialmente justo” e o “economicamente viável” estejam na mesma cadência do “ecologicamente equilibrado”.

Contudo, é exatamente neste ponto onde mora a grande dificuldade, uma vez que o tripé da sustentabilidade tem como missão primordial a conciliação entre três estruturas de pensamento distintas:

1. As viabilizações econômicas com suas estruturas predominantemente lineares;

2. As funções ecológicas e ambientais cujas estruturas são essencialmente sistêmicas; e

3. Os processos sociais que conformam uma trama complexa.

Lamentavelmente, em pleno momento histórico onde reconhecemos a relatividade, a multi/inter/transdisciplinaridade e a complexidade, ainda não conseguimos dar conta – pelo menos não do ponto de vista metodológico – de juntar tais estruturas tão distintas e ao mesmo tempo tão imbricadas. Por outro lado, novos conceitos e correntes de pensamento estão surgindo nesse sentido a exemplo da economia circular e da valoração de serviços ecossistêmicos. E é sobre os serviços ecossistêmicos que eu gostaria de abrir o debate para que juntos passemos a construir um melhor entendimento a respeito do valor da natureza viva – especialmente nas cidades – para a manutenção de nossas próprias vidas.

O mundo inteiro já reconhece que a expansão desordenada e descontrolada das cidades, com a substituição massiva das áreas naturais por áreas construídas, tem disparado processos maléficos sobre a natureza e sobre nossa qualidade de vida. Nos países europeus, esse entendimento já se estabeleceu de tal maneira que todo o processo de planejamento urbano prioriza a capacidade de suporte do meio ambiente e os serviços ecossistêmicos como primordiais, sendo cada vez mais comum a renaturalização de áreas antes construídas ou o simples indeferimento de projetos cujos impactos ambientais jamais justificariam a execução do mesmo.

Infelizmente quando pensamos nessas possibilidades no Brasil, ainda temos a sensação de incredulidade. Penso porém que há esperança!!! Isso porque ainda temos muito o que aprender sobre como lidar com a natureza e, o interesse nesse aprendizado tem se tornado cada vez mais frequente, ainda que exista muita resistência por parte de uns e outros.

A valoração de serviços ecossistêmicos está chegando aos poucos por aqui e por meio dos esforços de pesquisa, estudos e indicações técnicas, podemos começar a vislumbrar um novo caminho. Trata-se de aferir e contabilizar tudo o que cada um dos entes naturais (árvore, solo, rio, subsolo, etc) tem a nos oferecer de maneira sistêmica.

Atualmente, dois bons exemplos de serviços ecossistêmicos já apreendidos social e economicamente pelo setor energético são: 1.a incidência da luz solar (um dos muitos serviços ecossistêmicos ofertados pelo sol) e 2. Os ventos (serviço ecossistêmico oferecido pela dinâmica atmosférica). Apesar disso, ainda não aproveitamos sequer 1% das possibilidades que a natureza tem a nos oferecer quando se encontra em condições de desempenhar todas as suas funções ambientais.

A comunidade europeia, por exemplo, já mapeou 28 serviços ecossistêmicos que precisam ser considerados no planejamento de todas as cidades e que não precisam de tecnologias para serem aproveitados. Dentro dessa lógica, e para falar de alguns serviços ecossistêmicos ainda pouco aproveitados, usarei como exemplo os solos nas cidades, cuja preservação em estado natural proporcionaria no mínimo os seguintes benefícios:

Este texto foi originalmente publicado na fun page Inova Mundo

Para continuar lendo CLIQUE AQUI

Curta a página e compartilhe com seus amigos!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s