DesBURROcratizar é preciso!

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Muito recentemente saiu a notícia sobre o rompimento de uma barragem no Ceará, cuja principal consequência social foi o isolamento de uma comunidade por conta das águas que destruíram parte de uma estrada de acesso.

Mais abaixo postarei alguns vídeos e fotos sobre o evento em si, mas preciso iniciar essa postagem informando que a natureza sempre buscará retomar o seu lugar e/ou sua forma de origem!

Infelizmente boa parte dos empreendimentos no Brasil ainda são realizados sem qualquer controle ou licenciamento ambiental. Por aqui, ainda impera uma cultura da “esperteza” ou do famoso “jeitinho” ou até mesmo de “excesso de autoconfiança”, uma vez que se pensa que nada irá acontecer como consequência de atos irresponsáveis.

Para ficar mais lúdico e interessante disponibilizo a seguir o primeiro vídeo onde é possível verificar esquematicamente que ao interromper (barrar) o fluxo natural de um rio, ele assumirá uma nova dinâmica e tentará (de todas as formas) voltar à sua condição natural inicial. E é aí onde mora o perigo para nós!

Isso porque “a natureza sabe” o que é melhor para ela no que se refere à adaptação territorial e ao fluxo energético, para garantir otimização e resiliência em seus processos (coisa que também devíamos aprender com o meio ambiente).

O vídeo elaborado pelo Departamento de Recursos Naturais do Missouri demonstra que ao realizar o barramento e o desvio de um rio (processo utilizado na formação de açudes por exemplo) ocorrerá uma adaptação na mecânica dos fluidos e dos fluxos cujo resultado será uma tentativa de retorno à condição natural inicial. Ou seja, aquele trecho onde “não passaria mais o rio” após o barramento certamente ganhará um novo uso (moradias, empreendimentos, estradas, etc) sem que se considere que a qualquer momento aquele ambiente voltará a “pertencer” ao rio.

Nas grandes cidades isso é bem comum em dias de chuvas, onde grandes avenidas que geralmente foram construídas sobre rios ou riachos aterrados, ficam intransitáveis por conta do alagamento que nada mais é do que o rio tentando voltar a ser “o mesmo rio de antes”.

[Para saber mais sobre isso leia: https://12ambiente.wordpress.com/2017/03/02/porque-minha-cidade-alaga-quando-chove/]

Isso ocorre principalmente porque os empreendimentos em geral são realizados sem licenciamento ou sem análises ambientais confiáveis seja por amadorismo, falta de rigor técnico e/ou pressões externas.

Estima-se que atualmente no Ceará existam cerca de 300 barragens construídas sem licenciamento ambiental.

A coisa é tão séria que a todo momento temos notícias de tentativas de “desburocratizar licenciamentos” (entre aspas porque não passa de um conceito vazio), ou até mesmo eliminar este importante instrumento da Política Nacional de Meio Ambiente.

Ocorre que o problema não está no licenciamento… mas sim na falta dele!

Não que eu seja uma burocrata ou favorável à burocracia. Mas é preciso considerar também, que talvez o licenciamento tenha uma “imagem ruim”, por conta das instituições licenciadoras e também dos empreendimentos privados os quais podem não estar tecnicamente preparados para lidar com as questões ambientais e suas incertezas, ou  podem estar frágeis do ponto de vista ético, ou ainda ter gestores que não escutam suas próprias equipes técnicas.

Logo… o problema não é o licenciamento mas sim as instituições e seus gestores!!!

Diante desse contexto, e para além da correção das questões éticas acima mencionadas, diria ser necessário e urgente desBURROcratizar instituições publicas e privadas, além de educar/alfabetizar/sensibilizar a sociedade como um todo em relação às questões ambientais (leia-se dinâmica da natureza), para que definitivamente todos compreendam que a natureza é SISTÊMICA e que toda e qualquer intervenção humana terá algum tipo de impacto ou consequência (de curto, médio ou longo prazo), inclusive para os próprios empreendimentos.

Some-se a tudo isso, as incertezas trazidas pelas mudanças climáticas globais e os impactos cumulativos gerados por décadas e décadas de negligência com o meio ambiente.

É urgente compreender que as análises ambientais devem ser realizadas em via de mão dupla, ou seja, buscando saber: 

1 – Quais os impactos do meu empreendimento para a natureza?; e

2 – Quais os efeitos sistêmicos adversos que o meio ambiente poderá trazer para o meu empreendimento e para a sociedade caso sua dinâmica seja alterada?

Resta-nos, portanto, compreender a importância de tratar as questões ambientais como fator crítico de segurança e bem estar social, além de um fator estratégico para os negócios. Assim teremos população, setor empresarial e instituições convivendo harmonicamente com o próprio habitat. Ou seja, finalmente aprendendo a viver dentro da própria casa!

Abaixo vídeo e fotos recebidos pelo whats app mostrando o momento em que a estrada foi atingida pelas águas da barragem e a situação atual.

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WhatsApp Image 2017-04-21 at 09.43.25.jpeg

(Foto: Célio Ribeiro)

Até a próxima postagem e se puder compartilha essa informação!

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